Cadeia
do concreto reunida em defesa do desenvolvimento
econômico e social
Maior evento técnico nacional da construção
civil aponta as tendências futuras para o setor
Fábio Luís
Pedroso
Assessor de Imprensa
O 48º Congresso Brasileiro do Concreto – CBC
2006 aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, de 22
a 27 de setembro de 2006. O evento reuniu 835 pessoas
de todo o país e do exterior para discutir
as pesquisas científicas, os temas controversos,
os sistemas construtivos, e os problemas relativos à tecnologia
do concreto no Brasil e no mundo.

Neste ano, o congresso foi integrado
por outros três eventos importantes para a comunidade
técnica: o II Simpósio sobre a Reação Álcali-Agregado
em Estruturas de Concreto; o Simpósio Ibero-Americano
sobre o betão (Siabe); e a Conferência
Internacional sobre Concreto Estrutural (Incos).
A integração do maior evento técnico
nacional da construção civil com a
realidade da cidade do Rio de Janeiro foi alcançada
com a segunda edição do Concurso Ousadia.
Os estudantes de arquitetura e engenharia foram desafiados
pela coordenação do concurso a projetarem
uma praçarela, integrando o bairro de São
Cristóvão, dividido ao meio pela estrada
de ferro.
O valor da engenharia nacional
O Congresso Brasileiro do Concreto
foi também
a ocasião para reunir a comunidade da construção
em torno da valorização da engenharia
nacional e da necessidade de investimento em obras
de infra-estrutura, em especial, as de saneamento
básico.
No Brasil, 55% da população não é atendida
pelo serviço de esgotamento sanitário.
Por outro lado, do esgoto recolhido apenas 30% é tratado,
o que representa 13% do total gerado. Estes números
apontam a necessidade de muito trabalho pela frente
por parte da comunidade da construção
brasileira. Um primeiro passo está sendo dado
com o projeto de lei substitutivo do deputado federal
Júlio Lopes, que objetiva estabelecer um marco
regulatório para o saneamento básico.
O projeto é resultado de discussões
com as entidades do setor no âmbito da Comissão
Especial da Câmara dos Deputados, e busca superar
os impasses entre os interessados no tema para alavancar
um setor parado há 20 anos.
Centros de excelência
para o desenvolvimento
Para fazer frente aos desafios,
o desenvolvimento tecnológico do concreto, material mais largamente
empregado na construção, e o fortalecimento
das entidades de inovação tecnológica
e de divulgação científica são
imprescindíveis. “O Béton Canada
Network tem o objetivo nobre de desenvolver pesquisas
sobre o concreto, para torná-lo um material
mais durável, de alta performance e que promova
uma maior vida útil das estruturas. Este tipo
de ação desemboca numa indústria
da construção civil mais eficiente,
confiável e de maior competitividade”,
exortou o Prof. Paulo Helene, presidente do IBRACON,
em sua palestra inaugural.
Outro exemplo citado foi o Center
for Advanced Ciment-based Materials (ACBM), rede
de instituições
de pesquisas surgida em 1989, nos Estados Unidos,
e dirigida por Surendra Shah. Desde sua fundação,
a instituição tem gerado conhecimentos
sobre o comportamento do cimento e dos materiais
componentes do concreto, que têm sido usados
pelas indústrias para o desenvolvimento de
novas tecnologias construtivas. Apontando para a
importância da pesquisa científica e
do desenvolvimento tecnológico para a vida
das pessoas que vivem em sociedade, a ACBM afirma
em sua página na Internet: “muitos dos
caminhos da vida moderna dependem do concreto – nossas
casas, nossas rodovias, nossas cidades e os sistemas
de suporte subterrâneos são todas estruturas
feitas com este material”.
O IBRACON participa desse esforço conjunto
da comunidade técnica internacional para o
desenvolvimento da engenharia de concreto. Através
de seus diversos Comitês Científicos,
dos Congressos Brasileiros do Concreto, de simpósios,
reuniões e outros eventos, os membros da entidade
discutem os problemas surgidos no dia-a-dia da prática
da engenharia e propõem a normalização
dos diversos segmentos que compõem a cadeia
produtiva do concreto, contribuindo com a Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Durante os seis dias de realização
do 48º Congresso Brasileiro do Concreto, seus
participantes tiveram a oportunidade de conhecer
as pesquisas realizadas nas instituições
de pesquisa dos diversos estados brasileiros e de
outros 11 países estrangeiros. Foram 120 apresentações
orais e mais 130 apresentações em sessões
pôsteres. Dois Painéis de Temas Controversos “Controle
da resistência à compressão do
concreto: como controlar, por que controlar e para
quem interessam os resultados” e “Interface
estrutura-vedações: fissuração
e ruptura de revestimentos e paredes – verdades
e mitos”, nos quais representantes de diferentes
segmentos da cadeia construtiva expuseram seus pontos
de vistas e debateram com os participantes. E mais
cinco conferências com personalidades brasileiras
e estrangeiras especialmente convidadas para falar
sobre suas pesquisas na área do concreto,
além de um dia cheio dedicado exclusivamente
aos construtores e suas obras.
Feibracon
As empresas estiveram também presentes no
evento numa área de exposição – a
Feira Brasileira das Construções em
Concreto, que contou com 70
estandes de 29 expositores dos diversos segmentos
que compõem a cadeia produtiva do concreto:
concreteiras; cimenteiras; produtos químicos
para concreto; siderúrgicas; setor elétrico;
laboratórios de controle tecnológico;
escritórios de projetos; máquinas e
instrumentos para a construção civil;
construtoras; fôrmas; dentre outros.
Alguns dos expositores tiveram
também a oportunidade
de apresentar palestras técnico-comerciais.
Fugindo um pouco do formato tradicional, a Belgo – Grupo
Arcelor trouxe para o Congresso o consultor de marketing
Max Gehringer, que causou sensação
entre os presentes com sua palestra sobre as mudanças
provocadas pelo avanço da tecnologia e seu
alerta de que as empresas precisam estar atentas
a elas para poderem continuar competitivas. Por toda
feira, nos dias subseqüentes ouviam-se os congressistas
comentarem a palestra e usarem os conceitos trazidos
por ela em novos contextos.
Nos estandes, as empresas puderam
fazer demonstrações
de seus serviços e produtos, trocar idéias
sobre o mercado da construção civil
brasileira e marcar a presença de sua marca
frente aos concorrentes, aos fornecedores e aos consumidores.

No dia 23, o engenheiro José Vanderlei de
Abreu apresentou uma solução em cimento
oferecida pela Holcim: o uso de microcimentos em
reparos de pavimentos, trabalho técnico desenvolvido
em parceria com o engenheiro Paulo Fernando, da Concremat.